quarta-feira, 13 de maio de 2015

Texto - Recomendações aos Médicos que exercem a Psicanálise

Recomendações aos Médicos que exercem a Psicanálise

    Em “recomendações aos médicos”, Freud deixa claro que os métodos são individuais, é um pensamento pessoal, e que um médico pode ser levado a adotar atitudes diferentes em relação a seus pacientes.
    De cara, Freud já utiliza no texto a sua técnica de observação flutuante. Trata-se em não dirigir a atenção a qualquer expediente especial (mesmo que seja tomar notas). Consiste em não se ater a momentos específicos da análise, até mesmo para não focar em algo que não apresente uma demanda, ou ficar lembrando de inumeráveis nomes, lembranças, e acabar confundindo as análises. O ato falho consiste nas entrelinhas, e se ater a momentos específicos pode danificar essa conexão.
    É importante frisar que tomar notas durante as sessões pode prejudicar certos pacientes, ocorrendo um retraimento, ou constrangimento.
    A conduta do analista reside em oscilar de acordo com a necessidade, evitando especulações ou meditação sobre os casos enquanto estão em análise, e pôr isso no papel somente após a análise ter sido concluída.   
    Para o analista é aconselhável manter um padrão de frieza,  como uma forma de proteção da vida emocional, e para o paciente, um maior auxílio, de forma a mostrá-lo que nós demos apenas o impulso e ele que seguiu.
    Deve-se afirmar que, o analista durante a associação livre, deve estar completamente ligado ao paciente e que um desvio, com uma projeção indevida pode causar o descrédito ao método psicanalítico. Essa conexão/ligação, é extremamente importante para ocorrer a transferência. Talvez, em alguns casos, seja importante o acompanhamento analítico, por parte do analista, como forma de preparação.
    É incorreto o método da “psicologia da consciência”. Freud deixa claro que apresentar as suas experiências ao paciente pode reforçar as resistências. O analista deve ser opaco aos seus pacientes, e como um espelho, não mostrar-lhes nada, exceto o que lhe é mostrado.
    Outro ponto não aconselhável é a atividade educativa. É natural do analista querer projetar algo a um paciente em constante evolução. Porém, o analista deve se conter de forma a deixar o paciente caminhar no seu próprio tempo, em vez de projetar seus próprios desejos a ele.

    Por fim, Freud termina as suas recomendações dizendo não ser correto determinar tarefas ao paciente; não utilizar de escritos analíticos como assistência, reconhecendo que talvez seja de utilidade em condições institucionais; e qualquer tentativa de conquistar a confiança dos pais ou parentes dando-lhes livros psicanalíticos (sendo essa a mais séria advertência), pois pode surgir a oposição dos parentes ao tratamento.

quarta-feira, 6 de maio de 2015

Texto - Dinâmica da Transferência

Dinâmica da transferência

     Neste texto, Freud fala da principal forma de análise, que se dá a partir da transferência.
    A partir deste texto, compreendemos o porque a transferência é mais intensa nos indivíduos em análise, e porque Freud permanece com o enigma de que a transferência surge como a resistência mais poderosa ao tratamento, e que fora dela, deve ser encarada como veículo de cura e condição de sucesso.
    De forma complexa, confusa, Freud desenrola o assunto com certa dificuldade de expressar. A resposta à questão não é vista com facilidade, e Freud define a questão da resistência.
    Como dito no primeiro texto publicado aqui, a resistência nada mais é, do que o que te impede de seguir em determinado ponto. Ao ingressar em um paciente, onde a resistência se faz sentir tão claramente, é neste ponto que a transferência entra em cena.
    De acordo com Freud, a idéia transferencial penetra à consciência pois ela satisfaz a resistência, e que, ainda de acordo com ele, este tipo de evento ocorre inúmeras vezes no decurso de uma análise.
    Neste momento, podemos perceber vagamente o que Freud tenta dizer sobre a transferência ser o padrão mais forte de resistência. Eles estão tão interligados, se desenvolvendo juntos, que em algum momento essa dinâmica se entrelaça.
    Como Freud mesmo cita, o papel que a transferência desempenha no tratamento, só pode ser explicado se entrarmos na consideração das suas relações com a resistência.
    Em um dado momento, Freud frisa a distinção entre a transferência negativa, e a positiva. Neste momento, observamos que a transferência deve ser moldada constantemente, de forma a não dar espaço para a resistência. Devemos saber diferenciar a transferência de sentimentos afetuosos (positiva), da transferência de sentimentos hostis (negativas) e tratar separadamente os dois tipos de transferência.

·        Mesmo com as explicações da resenha acima, como no primeiro texto, podem surgir dúvidas. Separei duas das dúvidas mais corriqueiras, que são:

 - Como sabemos quando a transferência se inicia?

    Bom, a transferência é uma ligação direta ao paciente. Isso faz com que, caso seja positiva, as resistências apareçam em forma de demanda analítica. Se houver demanda, e o paciente demonstrar que está situando você em determinados momentos da vida dele, como a lembrança fora da análise por exemplo, significa que está ocorrendo a transferência.


- Existe a possibilidade de tratar um paciente com uma transferência negativa? Como lidar com um paciente que em alguns momentos é hostil, mas está sempre presente nas análises?


    O principal fundamento do manejo da transferência, é moldar essa transferência negativa, conseguindo criar demanda analítica. Quando a resistência toma conta, e a transferência vai perdendo força, o paciente pode faltar, ou até mesmo anunciar que vai abandonar a análise. Em momentos como este, nunca devemos “prender” o paciente a um trabalho, mas devemos faze-lo refletir. Devemos pedir para que repense, que talvez a continuidade no trabalho terapêutico seja de grande valia para ele, que construímos uma boa demanda. É uma forma de fazer o paciente refletir e moldar a transferência.
    Outro ponto a ser observado, é se o momento hostil do paciente não é da própria personalidade do mesmo. Devemos saber diferenciar uma personalidade de uma demanda negativa.


    

sexta-feira, 1 de maio de 2015

Texto – Sobre o Início do Tratamento

Sobre o Início do Tratamento

    Neste texto, Freud usa de seus conhecimentos para definir algumas questões sobre como iniciar o trabalho.
    Em um primeiro momento, frisa a importância das entrevistas preliminares, quando reforça a sua posição de aceitar o paciente temporariamente, por uma ou duas semanas, para saber se vão avançar com uma demanda analítica ou não. Método este utilizado, na época, para definir um psicótico e um neurótico.
   Este avanço, para além da entrevista preliminar, se dá com a transferência, que abordaremos o tema na resenha do texto “a dinâmica da transferência”.
    Logo após focar na entrevista preliminar, enfatiza a dificuldade de analisar um paciente com alguma proximidade parental, ou amigável. É de extrema importância este foco, pois a transferência não pode ocorrer, ou as dificuldades ocasionem em um rompimento deste vínculo.
    Esclarecendo isso, Freud aborda como tema a resistência. A resistência, nada mais é o que te impede de continuar. O analista tem de estar moldando com frequência a transferência, de forma a dificultar a ação da resistência no paciente.
    Com relação a duração da análise, Freud seguia a ordem de se ater durante uma hora determinada do seu tempo, pertencente única e exclusivamente ao paciente. Sem fugir muito do texto, friso apenas que Lacan utilizou uma forma diferente. Para Lacan, uma análise não tinha um tempo certo para acabar. “Deixe estar”. Apesar de coerente, infelizmente existe dificuldade para adaptar o tempo Lacaniano nos dias atuais.
    Em relação ao tempo de duração da análise, referente a quanto tempo o paciente estará “curado”, Freud diz que é quase irrespondível. Para Freud, a psicanálise é sempre uma questão de longos períodos, o que pode ser sacrificante para o paciente. Freud também dá total liberdade para o paciente interromper a análise quando lhe for conveniente.
    Antes de concluir, Freud cita o divã. Ele frisa que, a forma de tratamento ocorre com o paciente deitando em um divã, e se senta atrás do paciente, fora do seu campo de visão. Do ponto de vista de Freud, o paciente não terá material de interpretação que influencie na sua análise, por conta das expressões faciais do analista.
    O material inicial é básico. Trata-se de informações da vida do paciente: história da doença, lembranças de infância, o que o levou até lá, sempre o deixando livre pra falar, escolhendo por onde começar.
    Friso aqui a importância de confortar o paciente, de forma que ele consiga manter um fio de ligação, e não se envergonhe ou se sinta desconfortável para dizer coisas que dão aversão, ou que acham desnecessário. Tudo é válido na análise.
    É muito importante dar segurança ao paciente, afirmando que a análise é pessoal e não sairá do local.
   Por fim, Freud questiona: Quando devemos começar a fazer nossas comunicações ao paciente?
    Como resposta, Freud afirma que isso deve ocorrer somente após uma transferência eficaz. Se demonstrar um interesse sério nele, as resistências aos poucos se dissipam.

·          Este texto deixam algumas perguntas em aberto, com a modificação da nossa cultura, do nosso tempo.
    Nos tempos de hoje, nos deparamos com instituições que fornecem atendimento filantrópico e não tem recurso para utilizar o uso do divã. Isso não seria um empecilho, visto que podemos adaptar nossos métodos. O divã é sim importante, mas não é indispensável. Em certo momento, o próprio paciente, na ausência do divã, desviará o olhar penetrante do analista, dando seguimento a análise de forma mais confortável para ele.

   Em relação ao tempo, também sentimos dificuldade nos dias de hoje. Com a correria do mundo atual, principalmente no Brasil, onde falta tempo por conta das responsabilidades, fica esta dúvida. Como no exemplo acima, devemos nos adaptar. Nos casos de instituições ou o modelo clássico de atendimento da clínica, podemos adaptar, colocando mais dias na semana para atendimento de um paciente que requer mais tempo de demanda analítica, ou encaixar o paciente em um tempo um pouco maior em um dia de atendimento. Este é o método utilizado em locais filantrópicos. Com tempos curtos, em média de meia hora por paciente pela demanda, a instituição procura avaliar o caso e fugir ao padrão para o bem – estar do paciente.