quarta-feira, 6 de maio de 2015

Texto - Dinâmica da Transferência

Dinâmica da transferência

     Neste texto, Freud fala da principal forma de análise, que se dá a partir da transferência.
    A partir deste texto, compreendemos o porque a transferência é mais intensa nos indivíduos em análise, e porque Freud permanece com o enigma de que a transferência surge como a resistência mais poderosa ao tratamento, e que fora dela, deve ser encarada como veículo de cura e condição de sucesso.
    De forma complexa, confusa, Freud desenrola o assunto com certa dificuldade de expressar. A resposta à questão não é vista com facilidade, e Freud define a questão da resistência.
    Como dito no primeiro texto publicado aqui, a resistência nada mais é, do que o que te impede de seguir em determinado ponto. Ao ingressar em um paciente, onde a resistência se faz sentir tão claramente, é neste ponto que a transferência entra em cena.
    De acordo com Freud, a idéia transferencial penetra à consciência pois ela satisfaz a resistência, e que, ainda de acordo com ele, este tipo de evento ocorre inúmeras vezes no decurso de uma análise.
    Neste momento, podemos perceber vagamente o que Freud tenta dizer sobre a transferência ser o padrão mais forte de resistência. Eles estão tão interligados, se desenvolvendo juntos, que em algum momento essa dinâmica se entrelaça.
    Como Freud mesmo cita, o papel que a transferência desempenha no tratamento, só pode ser explicado se entrarmos na consideração das suas relações com a resistência.
    Em um dado momento, Freud frisa a distinção entre a transferência negativa, e a positiva. Neste momento, observamos que a transferência deve ser moldada constantemente, de forma a não dar espaço para a resistência. Devemos saber diferenciar a transferência de sentimentos afetuosos (positiva), da transferência de sentimentos hostis (negativas) e tratar separadamente os dois tipos de transferência.

·        Mesmo com as explicações da resenha acima, como no primeiro texto, podem surgir dúvidas. Separei duas das dúvidas mais corriqueiras, que são:

 - Como sabemos quando a transferência se inicia?

    Bom, a transferência é uma ligação direta ao paciente. Isso faz com que, caso seja positiva, as resistências apareçam em forma de demanda analítica. Se houver demanda, e o paciente demonstrar que está situando você em determinados momentos da vida dele, como a lembrança fora da análise por exemplo, significa que está ocorrendo a transferência.


- Existe a possibilidade de tratar um paciente com uma transferência negativa? Como lidar com um paciente que em alguns momentos é hostil, mas está sempre presente nas análises?


    O principal fundamento do manejo da transferência, é moldar essa transferência negativa, conseguindo criar demanda analítica. Quando a resistência toma conta, e a transferência vai perdendo força, o paciente pode faltar, ou até mesmo anunciar que vai abandonar a análise. Em momentos como este, nunca devemos “prender” o paciente a um trabalho, mas devemos faze-lo refletir. Devemos pedir para que repense, que talvez a continuidade no trabalho terapêutico seja de grande valia para ele, que construímos uma boa demanda. É uma forma de fazer o paciente refletir e moldar a transferência.
    Outro ponto a ser observado, é se o momento hostil do paciente não é da própria personalidade do mesmo. Devemos saber diferenciar uma personalidade de uma demanda negativa.


    

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