sexta-feira, 1 de maio de 2015

Texto – Sobre o Início do Tratamento

Sobre o Início do Tratamento

    Neste texto, Freud usa de seus conhecimentos para definir algumas questões sobre como iniciar o trabalho.
    Em um primeiro momento, frisa a importância das entrevistas preliminares, quando reforça a sua posição de aceitar o paciente temporariamente, por uma ou duas semanas, para saber se vão avançar com uma demanda analítica ou não. Método este utilizado, na época, para definir um psicótico e um neurótico.
   Este avanço, para além da entrevista preliminar, se dá com a transferência, que abordaremos o tema na resenha do texto “a dinâmica da transferência”.
    Logo após focar na entrevista preliminar, enfatiza a dificuldade de analisar um paciente com alguma proximidade parental, ou amigável. É de extrema importância este foco, pois a transferência não pode ocorrer, ou as dificuldades ocasionem em um rompimento deste vínculo.
    Esclarecendo isso, Freud aborda como tema a resistência. A resistência, nada mais é o que te impede de continuar. O analista tem de estar moldando com frequência a transferência, de forma a dificultar a ação da resistência no paciente.
    Com relação a duração da análise, Freud seguia a ordem de se ater durante uma hora determinada do seu tempo, pertencente única e exclusivamente ao paciente. Sem fugir muito do texto, friso apenas que Lacan utilizou uma forma diferente. Para Lacan, uma análise não tinha um tempo certo para acabar. “Deixe estar”. Apesar de coerente, infelizmente existe dificuldade para adaptar o tempo Lacaniano nos dias atuais.
    Em relação ao tempo de duração da análise, referente a quanto tempo o paciente estará “curado”, Freud diz que é quase irrespondível. Para Freud, a psicanálise é sempre uma questão de longos períodos, o que pode ser sacrificante para o paciente. Freud também dá total liberdade para o paciente interromper a análise quando lhe for conveniente.
    Antes de concluir, Freud cita o divã. Ele frisa que, a forma de tratamento ocorre com o paciente deitando em um divã, e se senta atrás do paciente, fora do seu campo de visão. Do ponto de vista de Freud, o paciente não terá material de interpretação que influencie na sua análise, por conta das expressões faciais do analista.
    O material inicial é básico. Trata-se de informações da vida do paciente: história da doença, lembranças de infância, o que o levou até lá, sempre o deixando livre pra falar, escolhendo por onde começar.
    Friso aqui a importância de confortar o paciente, de forma que ele consiga manter um fio de ligação, e não se envergonhe ou se sinta desconfortável para dizer coisas que dão aversão, ou que acham desnecessário. Tudo é válido na análise.
    É muito importante dar segurança ao paciente, afirmando que a análise é pessoal e não sairá do local.
   Por fim, Freud questiona: Quando devemos começar a fazer nossas comunicações ao paciente?
    Como resposta, Freud afirma que isso deve ocorrer somente após uma transferência eficaz. Se demonstrar um interesse sério nele, as resistências aos poucos se dissipam.

·          Este texto deixam algumas perguntas em aberto, com a modificação da nossa cultura, do nosso tempo.
    Nos tempos de hoje, nos deparamos com instituições que fornecem atendimento filantrópico e não tem recurso para utilizar o uso do divã. Isso não seria um empecilho, visto que podemos adaptar nossos métodos. O divã é sim importante, mas não é indispensável. Em certo momento, o próprio paciente, na ausência do divã, desviará o olhar penetrante do analista, dando seguimento a análise de forma mais confortável para ele.

   Em relação ao tempo, também sentimos dificuldade nos dias de hoje. Com a correria do mundo atual, principalmente no Brasil, onde falta tempo por conta das responsabilidades, fica esta dúvida. Como no exemplo acima, devemos nos adaptar. Nos casos de instituições ou o modelo clássico de atendimento da clínica, podemos adaptar, colocando mais dias na semana para atendimento de um paciente que requer mais tempo de demanda analítica, ou encaixar o paciente em um tempo um pouco maior em um dia de atendimento. Este é o método utilizado em locais filantrópicos. Com tempos curtos, em média de meia hora por paciente pela demanda, a instituição procura avaliar o caso e fugir ao padrão para o bem – estar do paciente.

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